O empreendedor, definido pelo conjunto de características que o diferencia das demais pessoas, vem se reposicionando constantemente para adequar-se as mudanças que ocorrem no ambiente de negócio, impostas pela velocidade com que acontecem as transformações, pela dinâmica do mercado e pelo alto nível de competitividade.

Em um ambiente inovador e dinâmico, onde não basta apenas ser empreendedor, o que fazer então para criar diferenciais competitivos?

A resposta pode estar no número crescente de empreendedores que atualmente estão buscando a adoção de medidas de integridade em seus negócios. Em 2017, a Rede Nacional Empresa Íntegra (REI), iniciativa do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria Geral da União (CGU), com o apoio de parceiros institucionais, integrou 10 estados, realizou 22 eventos temáticos e disseminou os conceitos de integridade empresarial para mais de 3.000 pequenos negócios, o que reflete a preocupação dos empreendedores em implantar uma nova cultura junto aos seus stakeholders, além de contribuir para o desenvolvimento da sociedade, cumprindo a sua função social.

A evolução do tema junto aos empreendedores desenha uma vertente crescente e posiciona positivamente a maturidade dos pequenos negócios em relação à integridade empresarial, também chamada de compliance. Em uma breve linha do tempo, considerando como marco o advento da lei 12.846/2013, em 2014 ainda observava-se um desconhecimento sobre integridade empresarial. A partir de 2015 o termo compliance começa a aparecer com mais frequência nas interações empresariais. Em 2016 passa a fazer parte dos discursos dos empreendedores, empresários e gestores, e já podia-se observar nichos empresariais adotando as práticas anticorrupção em suas relações. Em 2017 houve uma maior disseminação dos conceitos acarretando uma postura condicional por parte das empresas em estabelecer relações de mercado com pares que se identificavam com valores e princípios éticos. Nos dias atuais, a busca pela construção de marcos regulatórios estaduais formalizam os programas de integridade como peça essencial para que a relação comercial seja efetivada.

De fato, adotar práticas norteadas por princípios éticos é um bom negócio para os empreendedores. Além de aferirem os benefícios já apresentados, a empresa que tem os instrumentos e mecanismos implantados para evitar a ocorrência de irregularidades ganham adicionalmente o reconhecimento da sociedade e com isso conseguem fidelizar os clientes existentes e atrair novos clientes. Contabilizam também um maior conhecimento sobre os seus negócios proporcionando a implementação da inovação nos seus processos. Otimizam o investimento de recursos financeiros alcançando resultados melhores do que os previstos. E, garantem proteção para a empresa, minimizando a ocorrência de irregularidades e fraudes e reduzindo as penalidades previstas na lei anticorrupção.

Enfim, com a integridade empresarial o empreendedor ganha gás extra para enfrentar o ambiente de negócio, cada vez mais complexo e dinâmico; ganha reforço para ser mais competitivo; e, ganha proteção, para ter mais segurança em suas relações de negócio. Com isso, o sucesso, é só questão de tempo!

Pedagogo: Administrador com habilitação em gestão pública; mestre em aprendizagem organizacional, gerente da unidade de desenvolvimento territorial e politicas públicas do SEBRAE-PB.